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domingo, 24 de maio de 2020

Pandemim

Os planos tantos
no tornado estão
o furacão do mundo
doente, doentio, vazio

a prisão de cada um de nós
é em si

o ir e vir em quatro metros quadrados
de quarto em construção
de reflexo do projeto ser feliz
que parece fadado ao papel

e o futuro incerto
é o acerto que se tem do agora
e lá fora desmorona
enquanto assisto
o chão ceder diante mim
- e receio esmorecer

a realidade é um pesadelo
que não acaba ao ir deitar
e respirar já não é fácil pra mim 
- é sintoma
de não ter para onde fugir
senão, para dentro

nos foi tirada a doçura de projetar a vida
para agradecer
a sobrevida
que está tão cinza
- mas já não era para tantos?

me desculpa Deus,
a teimosia, a heresia
a hipocrisia e a falta de fé
mas é que também sou filha
entre os seus
e me cansei 
de tentar ver Sol onde não há
de conter um maremoto maior que o mar
e que eu
- e pensava ser imensa

o obstáculo é maior
e nessa perspectiva
percebo que não sei medir

ora do tamanho da humildade 
desmedida que aprendi
ora da grandeza 
descabida do ego 
ora o eco 
do medo 
ora o modo 
que me aponta o mundo
desapontada, oro

que se cure o mundo
que se cure a mim
e assim, em prece, 
peço que se apresse!

que volte ao normal
- o que eu sei que não vai voltar
mas me deixa pedir!
pois perdida que estou
os sonhos parecem lugar melhor
pra se encontrar

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