no tornado estão
o furacão do mundo
doente, doentio, vazio
a prisão de cada um de nós
é em si
o ir e vir em quatro metros quadrados
de quarto em construção
de reflexo do projeto ser feliz
que parece fadado ao papel
e o futuro incerto
é o acerto que se tem do agora
e lá fora desmorona
enquanto assisto
o chão ceder diante mim
- e receio esmorecer
a realidade é um pesadelo
que não acaba ao ir deitar
e respirar já não é fácil pra mim
- é sintoma
de não ter para onde fugir
senão, para dentro
nos foi tirada a doçura de projetar a vida
para agradecer
a sobrevida
que está tão cinza
- mas já não era para tantos?
me desculpa Deus,
a teimosia, a heresia
a hipocrisia e a falta de fé
mas é que também sou filha
entre os seus
e me cansei
de tentar ver Sol onde não há
de conter um maremoto maior que o mar
e que eu
- e pensava ser imensa
o obstáculo é maior
e nessa perspectiva
percebo que não sei medir
ora do tamanho da humildade
desmedida que aprendi
ora da grandeza
descabida do ego
ora o eco
do medo
ora o modo
que me aponta o mundo
desapontada, oro
que se cure o mundo
que se cure a mim
e assim, em prece,
peço que se apresse!
que volte ao normal
- o que eu sei que não vai voltar
mas me deixa pedir!
pois perdida que estou
os sonhos parecem lugar melhor
pra se encontrar
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