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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ventos de despedida

  Eu fico aqui comigo mesma, tentando fugir do assunto, buscando, em vão, uma maneira de adiar. O tempo, a partida, o sofrimento. Mas é inevitável.
  Como se diz adeus para uma das melhores coisas que já te aconteceu? Desde o momento em que dancei com aquele cara de 1,90m, um pouco mais de três meses atrás, minha vida virou de cabeça para baixo. Nada mais foi igual. Uma bagunça, na verdade. Essa é, ironicamente, uma das marcantes características dele. O ponto é que apesar disso, ou até por causa disso, eu nunca me senti mais viva. 
  Eu aprendi a viver entre os maremotos e tempestades e a encontrar em meio a eles a calmaria. Eu fui levada pelo furacão, que logo se tornou brisa e incessantemente ameaçava mudar de rumo. Eu me moldei e me deixei levar. Eu me apaixonei pelo vento.
  Pena que vento não se pode guardar, ele vai embora. O vento é da inconstância, é do mundo, e, querê-lo para si é assassinar seu mais puro instinto. E por isso, eu deixo o vento ir... Embora não sem alguma tristeza... 
  O vento me trouxe o frescor da vida, da juventude, dos sonhos, das loucuras, das mais intensas sensações. A personificação do vento. Com o mais doce dos olhares, mais amigáveis mãos, mais confortantes abraços. Não é paradoxal que tanta inconstância possa trazer também segurança? Queria poder entrelaçar meus dedos aos dele, partir ao seu lado, deixando tudo para trás... Ora, uma loucura completa a outra... 
  Não sei o que esperar do dia de hoje, quanto mais dos 365 que o seguem. Tento amenizar a ansiedade que almeja acelerar cada um dos segundos que querem me separar desse moço alto e bagunceiro. Às vezes funciona, às vezes não. Eu não consigo deixar de imaginar como será. Difícil, no mínimo. 
  Não sei o que a vida guarda para nós. Mas, como eu espero que guarde mais... Nós merecemos mais, mais tempo, mais um ao outro. É como se tivéssemos nos conhecido na hora errada... Mas é, eu não tenho como prever o futuro e preciso me acostumar com isso. Só não quero me acostumar com a falta que a presença desse cavalheiro me fará...
  Que a distância nos faça crescer, que nossos rumos não se desencontrem, que o tempo passe o quão rápido for o melhor para nós. Que essa ligação tão bonita que se fez, não se desfaça. Que cada um tenha a oportunidade de aprender, viver novas experiências, evoluir. Que sejamos felizes, independente das circunstâncias.Que num verão o vento se vá e no próximo ele retorne, ao mesmo hemisfério de onde partiu.

"O vento vai dizer, lento, o que virá..."

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