Uma cidade qualquer, num dia normal do mês de outubro do ano em que o mundo supostamente acaba,
Estimado cavalheiro do signo de Câncer,
Hoje eu quero escrever sem rumo, deixando fluir as palavras. Mesmo sabendo que deixá-las sem rumo é o mesmo que direcioná-las a você. A verdade é que não sei bem o que dizer, mas estou doida para falar. Dá para entender alguma coisa que eu digo?
Estou aqui presenciando uma aula de História que eu normalmente adoraria prestar atenção. Hoje os processos de colonização e independência da América Espanhola não me parecem tão interessantes. Minha mente quer explorar outros universos, divagar nas lembranças e planos, passear por entre devaneios, reviver sensações.
Nem preciso mencionar a tendência quase monotemática dos meus pensamentos, preciso? Dá vontade de escrever um livro. Fico imaginando se alguém se identificaria com a história. Assistida pela minha visão, quem sabe alguma adolescente ansiosa, romântica e meio temperamental? Eu e minha mania de querer deixar o mundo cor-de-rosa...
Mas, aonde mesmo eu quero chegar? Essas sentenças já estão tão desconexas que eu mesma já não sei se consigo produzir sentido. Viu? É isso que você faz com a minha cabeça!
Sabe... eu morro de medo. Dessa inconstância, dessa falta de certezas e de tempo. E isso às vezes me tira do eixo - já te apresentei minha amiguinha ansiedade? Sei que apesar disso, e, ironicamente, talvez até em consequência disso, esse livro, novela, roteiro de filme, chame como queira, se tornou o que é. Uma coisa louca, desejável, intensa e instigante. E ao mesmo tempo um aconchego, cuidado, carinho e cólo. O fogo do corpo e a serenidade da alma. O problema e a solução. Uma aventura e um romance. É coisa que não se pode explicar, por mais que se tente. E não se pode entender, por mais que se sinta.
Ah! Chega de dar voltas! Tudo que eu quero dizer pode ser resumido em tão poucas palavras... Te quero sempre ao meu lado, poder cuidar e levar para casa, guardar debaixo do cobertor. Quero me entregar. Acho até que já o fiz. Quero qualidades e mesmo os defeitos que mais me incomodam. Quero tudo, todo, por inteiro. Te quero. Te amo.
Sou patética, piegas e platônica. Sou apaixonada. E preciso transbordar isso pelas palavras. Penso no teu sorriso pela manhã, nas tuas palavras pela tarde, no teu corpo pela noite, nos teus olhos em meus sonhos. Às vezes melancólica, saudosa e angustiada, confesso. Outras tantas feliz, com um brilho quase que infantil, estampado em sorriso de menina-mulher.
E é em meio a essa louca confusão, que me despeço, sem nem saber finalizar o que comecei. Talvez porque não quero que tenha fim. Então vou deixar nas reticências...
Com todo o carinho,
Senhorita dos louros cabelos e signo de Leão.
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